domingo, 13 de maio de 2012

O antigo universo em um plano novo

O Tempo e o Espaço não podem ser destruído porque eles não são coisas, mas sim dimensões. Todos os universos estelares podem se pulverizarem, tornando-se uma poeira cósmica. O Espaço continuará a existir, pronto a fazer renascer outros mundos.
    A coordenada do Tempo é a matriz de acontecimentos cósmicos incessantes, pois sempre sucede qualquer coisa no infinito do universo.
    O Tempo é uma linha reta contendo pontos de "agora" em suspensão. É uma aspiral eterna de repetição.
     A velocidade do Tempo parece imutável, mas isso não passa de uma ilusão. O tempo é medido pelas rotações periódicas. Se o ritmo for diminuído, o mesmo acontecerá com o tempo.
     Numerosas conclusões podem ser tiradas de teoria da relatividade de Einstein. O fluxo do tempo é mais lento no caso de um corpo grande do que para os corpos pequenos. Ele é lento no infinitamente grande de uma galáxia, e rápido no mundo do átomo.
     A passagem do Tempo é relativa e depende do tamanho dos objetos. A galáxia que forma a via láctea tem mais de dez bilhões de anos de existência. Por outro lado, os mésons e híperons vivem apenas uma fração de segundo.
     Do ponto de vista relativista, cada sistema de referencia possui o seu próprio tempo. Quando o antigo universo foi colocado em um plano novo, tornou-se patente que a ralidade em um outro ponto do Espaço-tempo poderia ser também válida como aquela que percebemos nesse momento.
     Para mostrar o caráter relativo do presente, imaginemos que o ano de 1700 (segundo a cronologia terrestre) uma mensagem inteligente de rádio tenha sido transmitida de um planeta girando em torno de estrela Betelgeuse, na constelação de Órion. Essa mensagem seria recebida pelo radiotelescópio de Jodrell Bank em 1975, pois a Terra está a 275 anos-luz daquela estrela ( posto que as ondas de rádio se propagam à mesma velocidade da luz) . Entretanto, os habitantes de um planeta pertencente ao sistema de Aldebaran, na Constelação do Touro, teriam já recebido a mensagem em 1925, pois estão 50 anos-luz mais próximo de Betelgeuse. por meio desse exemplo hipotético, podemos ver que um único acontecimento não é produzido ao mesmo tempo em tres sistemas diferentes. Tal acontecimento, a transmissão de uma mensagem de rádio e a sua recepção por dois sistemas solares, implica três datas diferentes: 1700, 1925 e 1975.
  O que nós chamamos de "aqui-agora" de cada observador é um ponto arbitrário no Espaço-tempo e não possui significado absoluto.

    Quando o professor Franck tomou posse da cadeira de Física na Faculdade de Praga, o reitor falou-lhe em tom sério:
- Pedimos que o senhor aja de modo normal.
- Como assim Isso é uma coisa rara entre os físicos?
- Não queira que seu antecessor era normal, replicou o reitor.
O seu antecessor era Albert Einstein,

sábado, 12 de maio de 2012

O nirvana e o átomo

      Há vinte e seis séculos, um homem achava-se sentado sobe uma árvore Bo em Gaya e dizia: "Enquanto não houver adquirido a Sabedoria, permanecerei sentado sob esta árvore". Ele ficou sob a árvore, no vale dos Ganges, durante quarenta e nove dias. Durante suas meditações, ele resolveu os mistério do Bem e do Mal, da Vida e do Tampo. Assim como os ramos da árvore Bo, os seus pensamento se expandiram até abraçar o Cosmos. Assim se tornou o "Iluminado": Buda. 
     Disse ele: "Creio que o mundo nunca deixará de existir. Não terá jamais fim. e o que não tem fim não tem começo. Ninguém criou o mundo. O mundo sempre existiu."
    Se o universo não existiu sempre, uma pergunta se faz necessário - o que havia antes dele - Santo Agostinho ficou intrigado com essa pergunta: " que fazia Deus antes da criação". algumas respostas são razoáveis, porem, a mais interessante é aquela que diz que Deus, antes de iniciar sua obra, construiu o inferno para curiosos imbecis.

terça-feira, 8 de maio de 2012

O sofista Górgias de Leontino, contra a Verdade, nada existe.

O PROBLEMA: pensamento e linguagem podem resolver a distinção feita por Parmênides entre o ser e o não-ser...

A TESE: as três teses defendida por Géogias estão entre as mais radicais da tradição filosófica:
1 nada existe;
2 se algo existisse não poderia ser pensado.
3 se algo existisse e pudesse ser pensado, não poderia, de qualquer maneira, ser explicado.

" admitindo-se que algo exista, existe somente o que é e o que não é, ou então tanto o que é e o que não é. porém, nem o que é existe, como demostrará, nem o que não é, como nos confirmará, nem, por fim, como também nos explicará, o ser e o não ser juntos. portanto, nada existe."

" e, na verdade, o não-ser não é; porque, supondo que o não-ser seja, ele ao mesmo tempo será e não será; mas, como existe como não existente, por sua vez existirá; ora, é absolutamente absurdo que uma coisa ao mesmo tempo seja e não seja; o não-ser não é. E de resto, admitindo que o não-ser seja, o ser não existirá mais, posto que se trata de coisas contrárias entre si; dessa forma, se do não-ser se afirma o ser, do ser se afirmará o não-ser."

Mas tampouco existe o ser. Porque, se o ser existe, é eterno ou criado, ou é ao mesmo tempo etreno e criado; mas ele não é eterno e nem criado, nem um e nem outro ao mesmo tempo, como demostraremos - Portanto, o ser não existe. Porque, se o ser é eterno, não tem nenhum princípio.


Reportagem suspeita de incompetência

Só existe átomo e vazio

O PROBLEMA: se cada coisa é constituída por uma agregação de átomos, como se explica a diversidade das próprias coisas.

A TESE: para responder essa objeção é suficiente, segundo Demócrito, pensar como as poucas letras que compõem o alfabeto podem, combinando-se entre si, formar um numero infinito de palavras. entre os átomos existem apenas diferenças quantitativas (grandeza, forma goemetrica) e, portanto, a diversidade qualitativa das coisas (aparente) explica-se pelo grande numero de combinações possíveis.

    Opinião é a cor, o doce, o amargo, verdades são os átomos e o vazio, diz Demócrito, considerando que todas as qualidades sensíveis, que se supõe relativa a nós, das quais temos as sensações, decorrem da variada combinação dos átomos, ma que, por natureza, não existe absolutamente branco, preto, amarelo, doce, amargo, azedo...
  Os homens acreditam que o branco e o preto, o doce e o amargo, e todas as qualidades do gênero, são algo de real, quando na verdade só o que existe é o ente e o nada.
   Todos os átomos, sendo corpos minúsculos, não possuem qualidades sensíveis, e o vazio é um espaço em que tais corpúsculos se movimentam para cima e para baixo eternamente ou se entrelaçando de diversas maneiras ou se chocando em tais compostos; e, desta forma, produzem todas as outras maiores agregações e os nossos corpos e as afeições e sensações.
   Supõem, também, que os corpos primeiros são inalteráveis ( alguns dentre os atomistas, mas precisamente os seguidores de Epicuro, porque acreditam que sejam infrangíveis pela sua dureza; outros, os seguidores de Leucipo, porque indivisíveis pela sua pequenez), ou melhor, que tampouco sofrem ( por meio de alguma força externa) as modificações às quais todos os homens (que extrai a sua ciência das sensações) acreditam que eles estão sujeitos.

domingo, 6 de maio de 2012

Pitágoras: o princípio é a música. A música é a harmonia de números


PROBLEMA: Qual é a estrutura do universo? Em que consiste a harmonia, em particular a harmonia musical? O que é um número?
A TESE: enquanto a escola filosófica de Miletoidentificava o arché – a natureza íntima do todo, fundamento e causa de cada coisa – em um elemento físico e Heráclito localizava-o no devir, Pitágoras acreditava que esse fundamento residia no  numero. No entanto, diferentemente dos modernos, com o termo numero ele não indicava um ente abstrato, puro conteúdo da mente, mas um elemento essencial da realidade. Por isso, o numero pitagórico possui também uma dimensão espacial, apresentando-se como um ente intermediário entre aritmética e a geometria.
O numero é o principio ordenador da realidade natural.
Parece que os pitagóricos – que afirmavam que o principio era o numero – pensavam o numero também como matéria ou qualidade acidental e condição das coisas que são.
A unidade é parlimpar, mas não é par nem impar.
Elementos do numero suponham o par e o impar, um pensado como infinito e o outro como finito; consideravam a realidade derivada de ambos (assim, diziam que ela é par e impar). Da unidade pensavam que nascesse o numero e que os números consistissem o mundo todo...
O numero não é um ente abstrato, coincide com a matéria e possui uma dimensão espacial.
Os pitagóricos também pensavam que o numero é de um único modo, vale dizer, matemático, e não o consideravam separado das coisas, mas dizia que as substancias perceptíveis dos números são compostas. De números de fato concebiam todo o céu, mas nãode numero formados por unidades sem grandezas, pois atribuíam grandezas às unidades. Quanto à primeira unidade dotada de grandeza, como ela é composta, parece que eles não sabiam dizer.

A ciência dos números pode explicar cada aspecto da realidade
Os pitagóricos foram os primeiros a dedicar se a ciência matemáticas, fazendo-as progredir. Como encontraram nessas ciências o próprio nutrimento, foram da opinião de que existem e são geradas, e afirmavam que uma determinada propriedade dos números se identificam com a justiça, uma outra com a alma e com o intelecto... e que o mesmo vale, aproximadamente, para cada uma das outras propriedades numéricas.

A música é um exemplo de harmonia matemática entre os sons.

Por todos esses motivos, eles conceberam os elementos dos números como elemento de toda realidade, e o céu inteiro como harmonia e numero. Recolhiam e adaptavam ao seu sistema todas as concordâncias coma as propriedades e partes do céu e com a inteira ordem universal que encontravam nos números e nas harmonias.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Heráclito: o princípio é o fogo (ou o dinheiro)


Heráclito

O princípio é o fogo (ou o dinheiro)

O PROBLEMA – qual a origem de tudo? Existe mesmo um princípio fundamental em que tudo deriva? Já vimo aqui que os Milésios, ou seja, aqueles filósofos da escola de mileto buscaram responder essas perguntas: Tales na água; Anaximandro no infinito; Anaxímenes no ar. 
Mas Heráclito não é de Mileto, mas de Éfeso ( Éfeso é uma colônia ateniense localizada na costa da Lídia)
Membro de uma família aristocrática – talvez descendente de antigos reis -Heráclito sempre mostrou grande desprezo pelas massas e pelos princípios democráticos, mesmo morando em uma cidade como Éfeso dominada pelo partido popular. Distante da atividade politica, ele se manteve em altivo isolamento e em oposoção ao resto da sociedade. Essa postura transparece em seus escritos, especialmente quando contrapõe os melhores homens à maioria, como sugere uma de suas máximas célebres: um homem vale mais do que dez mil se for o melhor.
     O seu comportamento às vezes contraditórios talvez explique algumas extravagancias, a começar pela estranha forma com o qual – aos 60 anos, de acordo com a tradição – resolveu matar-se : devorado por cães na praça publica de Éfeso, depois de ter-se coberto por esterco. Mas, com certeza, sua personalidade justifica o estilo intencionalmente obscuro dos seus escritos ( tanto que foi apelidado de o obscuro). Escrever, para Heráclito, significava gravar frases curtíssimas, concisas, aforismos tão profundos quanto ambíguos, sobre finas laminas de ouro que depois ele mesmo depositava no cofre do templo citadino, ordenando aos sacerdotes que só tornassem públicos o seu conteúdo após a sua morte. Portanto, em certo sentido, quis ser um filosofo póstumo, recusando-se a falar aos pobres compatriotas ( que, sem meio-termo, definia os adormecidos) para dirigir-se a humanidade do futuro.
Provavelmente, foi ao refletir sobre a própria existência que ele elaborou sua doutrina mais conhecida, que pode ser resumida na formula pánta rheî: “tudo flui”. De fato Heráclito permaneceu na história como o filósofo no devir, mas a crítica contemporânea já demostrou que essa intepretação é redutiva: sob as aparências mais mutáveis,lel entrevê uma lei, um princípio unitário. Essa lei de interdependência dos contrários, segundo a qual cada par de opostos forma uma indivisível unidade, é o logos, a razão que governa todas as coisas. Mas os homens, em sua maioria, são incapazes de ouvi-lo.

A TESE:O arché, o principio gerador da realidade, consiste no fogo. De fato, tudo se origina no fogo e no fogo todas as coisas se tr4ansformam. Em certo sentido, a resposta de Heráclito parece aproximar-se daquela formulada pelos pensadores de Mileto, que já haviam identificado o principio fundamental em um elemento material. No caso de Heráclito, o fogo constitui mais uma metáfora do que um elemento natural especifico, e isso é demostrado na comparação com o dinheiro: pela sua capacidade de transformar uma coisa em outra, o fogo pode ser substituído pelo símbolo do dinheiro, que, por sua vez, é capaz de trocar uma mercadoria por uma outra qualquer.

     Essa ordem universal, que é a mesma para todos, não foi criada por nenhum dos deuses ou homens, mas foi e será fogo, constantemente vivo que sempre se acende ou se apaga na justa medida.
Todas as coisas podem ser transformadas em fogo e o fogo pode se transformar em todas as coisas, do mesmo modo que se troca o dinheiro por todas as coisas e todas as coisas são trocadas por dinheiros.

Por isso o mendigo pede uns trocadinhos.