domingo, 20 de março de 2011

Deus não existe

“O Caminho que pode ser verbalizado não é o Caminho eterno.

O nome que pode ser falado não é o nome eterno.

O indizível é a origem do Céu e da Terra.

O nomeado não é senão a mãe de dez mil coisas.

Em verdade, somente aquele que livra-se para sempre do desejo pode ver as Essências Secretas;

Aquele que nunca livrou-se do desejo somente pode ver as Consequências.

Essas duas coisas provêm da mesma fonte; todavia são diferentes na forma.

Essa fonte só pode ser chamada de Mistério.

A porta entreaberta de onde emergem todas as essências secretas.”

(Lao Tsé, Tao Te Ching – 600 a.C)

“Ora, a eternidade está além de todas as categorias de pensamento. Este é um ponto fundamental em todas as grandes religiões do Oriente. Nosso desejo é pensar a respeito de Deus. Deus é um pensamento. Deus é um nome. Deus é uma ideia. Mas sua referência é a algo que transcende a todo pensamento. O supremo mistério do ser está além de todas as categorias de pensamento.”

(Joseph Campbell – 1986)

“A vida espiritual é o buquê, o perfume, o florescimento e a plenitude da vida humana, e não uma virtude sobrenatural imposta a ela. Desse modo, os impulsos da natureza é que dão autenticidade à vida, não as regras de uma autoridade sobrenatural.“

(Joseph Campbell – 1986)

“Nas tradições religiosas, a metáfora remete a algo transcendente, que não é literalmente coisa alguma. Aceitar a metáfora como auto-referente equivale a ir ao restaurante, pedir o cardápio e, deparando ali com a palavra “bife”, começar a comer o cardápio.“

(Joseph Campbell – 1986)

“Os etíopes dizem que seus deuses têm nariz chato e são negros, enquanto os trácios dizem que os seus deuses têm olhos azuis e cabelo ruivo. Ora, se os bois, os cavalos ou os leões tivessem mãos e pudessem desenhar, e pudessem esculpir como homens, então os cavalos desenhariam seus deuses como cavalos, e os bois como bois, e cada um moldaria corpos de deuses à semelhança, cada gênero, do seu próprio.”

(Xenófanes – séc. VI a. C)

“Quando digo que não existe Deus, estou negando uma personalidade a Deus. Estou dizendo que Deus não existe, mas existe uma tremenda religiosidade. É uma energia impessoal, pura energia. Atribuir-lhe qualquer forma é ofensivo. Você está impondo a sua própria forma a ela.”

(Osho)

“A mera ideia de Deus deve-se ao fato de que nossas mentes não podem compreender a eternidade. Uma vez que você se eleva acima de sua mente limitada em direção a um estado de não-mente ilimitado, você poderá conceber tudo o que antes era inconcebível. Nenhum Deus é necessário.”

(Osho)

O vídeo de Osho que trago hoje basicamente se resume a uma afirmaçã0 já conhecida dos leitores do Inconsciente: a verdade é uma experiência, não uma crença. E seguindo a “polêmica” de outro vídeo dele já publicado aqui no blog: “Deus não é uma solução, mas um problema!”, novamente temos Osho comentando o teísmo x o ateísmo.

Deus é uma palavra muito complicada. Por mais que se queira reescrever, reinterpretar ou praticamente reinveintar um “conceito” para “Deus”, a associação da palavra com algo “pessoal”, “personificado”, antropomórfico ou com qualidades que tradicionalmente (entenda isso como sem relação alguma com a experiência direta = religião) gostamos de atribuir (coisas como “Deus é amor”, “Deus é Pai”, “Deus é sábio”, “Deus é perfeito” etc.) continuam prevalecendo no ideal da maioria das pessoas. O indivíduo que se diz religioso tem “Deus” como uma convicção, uma crença estabelecida, uma “verdade” intelectual que está mais relacionada com aquilo que ele escolhe ver (os filtros que ele usa para entender a “realidade”), com as ideias com as quais foi condicionado na infância, do que com algo que ele genuinamente experimentou. Dentro do modo de pensar da maioria, quando algo legal acontece com esse indivíduo, é Deus agindo. Quando é algo trágico, aí… bem, é qualquer outra coisa agindo… talvez seja melhor mudar de assunto… Mas são nesses momentos que percebemos a fragilidade de uma crença que se baseia unicamente em projeção: “Deus é aquilo que eu acredito que seja”. Ou pior: que me disseram que é… Convenhamos, isso abre margem pra qualquer coisa, seja “boa” ou “ruim”, dependendo de “gosto do freguês”…

Há um tempo atrás saiu um estudo realizado nos EUA com pessoas religiosas, incluindo membros do clero. De acordo com o estudo, a maioria das pessoas que se consideram religiosas (não lembro exatamente do percentual encontrado, mas era algo em torno dos 70 – 80%) nunca tinha tido nenhuma experiência direta de divindade. E é interessante observar que dentro do seleto grupo de pessoas que afirmam ter tido tal experiência mística, a noção que essas pessoas têm de “Deus” é completamente diferente da que estamos acostumados a ouvir por aí, ou da que a esmagadora maioria de nós fomos educados…

O que mais gosto nessa série de palestras de Osho – sendo o trecho do vídeo apenas uma pequena parte da fala dele sobre o tema – é a ênfase que ele dá ao fato de que a ideia comum de “Deus” se refere a algo estático, absoluto, perfeito, portanto morto. Ah, sem falar que normalmente é algo “externo” a nós… Mas a existência não é morta, não é estática, não é perfeita (pois está em contínua evolução – perfeito é algo que já chegou no ponto máximo)… e muito menos está além de nós. Apesar de Osho não ser teísta, igualmente também não pode ser considerado ateísta, já que para ele não se resume tudo à matéria. E, não esqueçamos, teísmo e ateísmo são apenas as faces opostas da mesma moeda.

A existência é inteligente, não-criada, eterna. Não há a necessidade de um “Deus”, na concepção comum da palavra. Na verdade, sequer dá para colocar “Deus” e “existência” como sinônimos, porque por mais que se explique, a ideia original de Deus, a mais popular (a do “fantasmão que é amor” – e nem vou entrar no mérito da ideia popular a respeito do “amor”), continua latente na mente das pessoas. Com “existência” não há esse problema. Existência nos remete a algo vivo, em evolução, inteligente, algo que nos une a todos… a tudo… Ah, mas palavras são sempre limitações…

Gosto especialmente da metáfora: você é uma gota de Consciência num oceano de Consciência. Nada mais é preciso ser dito ou explicado. Tat tvan asi.

Então… vamos a Osho! (A tradução não é minha, mas tenho a permissão do tradutor, que prefere não ser identificado)

(uma observação quanto ao vídeo: para assistí-lo, é preciso clicar no play duas vezes. Na primeira, enquanto o botão está vermelho, e esperar que fique verde, quando se clica mais uma vez. O Megavideo está meio instável desde ontem – 18/03 -, portanto o vídeo pode não abrir em determinados momentos ou mostrar que “ainda está sendo convertido”. Se o problema persistir, por favor me avisem!)
“E quando eu digo que Deus está morto, tudo o que resta para você é sua própria consciência. E sua consciência é parte de uma consciência oceânica que o cerca. Uma vez consciente de seu interior, verá que, por toda a parte, aquela mesma consciência está pulsando, dançando. Nas árvores, nos rios, nas montanhas, nos oceanos, nos olhos das pessoas, em seus corações, é a mesma canção, a mesma dança – e você participa dela. Sua participação é boa. Sua não participação é má.”
(Osho)

http://www.livrariabarauna.com.br/ficcao/o-santo-de-pau-oco.html


  • O Santo-De-Pau-Oco

    O Santo-De-Pau-Oco

  • segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

    Meu Ensaio: de Fé.

    Martim lutero: fé e razão: oposição ou acordo?
    “Somente a fé , e não as obras, conduz à salvação.”
    Com esse pensamento Martim Lutero fez uma reforma na igreja cristã. Segundo ele, a salvação do homem não está no acumulo somática de caridade, de boas obras feitas com o seu irmão por exemplo. Ou quem sabe, pela piedade ao inimigo, ou quem sabe, pela ética ou moral, mas tão somente pela fé. O homem que tem fé, seja “bom” ou “ruim”, vai ser salvo. Daí, significa que se eu acredito na existência de deus e que Jesus cristo, também existiu, eu estou salvo e pronto. Porque o que salva é a Fé em si, o acreditar no “absurdo” como sugeriu o apostulo Paulo. Então, podemos fazer “absurdos” em nome da salvação Fé? Essa premissa não prossegue por que? Por que alguém diz ter fé suficiente para remover uma montanha, não diz que a montanha está removida. Aqui, podemos ver, que ele, sem se aperceber, cometeu um equivoco quanto a tese refutada por ele. Se o acumulo de boas obras não leva a salvação, por que o acumulo de fé levaria?

    terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

    EDUCAÇÃO E ARTE: um referencial para Santa Luzia do Paruá

    Contextualização do Ensino da Arte

    Na trajetória da educação, o ensino da arte foi caracterizado de diversos modos. O positivismo e o liberalismo implementaram, no século XIX, uma visão utilitarista, a qual foi substituída, posteriormente, por uma abordagem que cultivava o processo em detrenimento do produto decorrente das idéias escolanovista. Nesse tempo, a disciplina adquiriu varias nomenclaturas, como Desenho Artístico, Desenho Geométrico, desenho livre, dentre outras, tendo sido matéria obrigatória na época do estado novo, intitulada canto Orfeônico.
    Seguindo a orientação da UNESCO (2002) para os países em desenvolvimento, a arte assumiu status de prática educativa mediante a LDB de 1961 (Lei 4.024/61), o que influenciou diretamente as escolas vocacionais, os colégios de aplicação e os estabelecidos experimentais de ensino, onde se desenvolveram praticas educativas bastante positivas na disciplina. Surgiram, nessa época, novas concepções e abordagens pedagógicas com nomes de educação Musical, Artes Plásticas, artes ciências e Desenho.
    Contudo, a obrigatoriedade da disciplina só foi só foi implementada dez anos mais tarde (Lei 5.692/71), embora a Educação Artística tivesse sido abordada de forma adequada, conforme reconhecem os PCNEM, como mera proposição de atividade artística, muitas vezes desconectadas de um projeto coletivo de educação escolar, sendo que os professores deveriam atender a todas as linguagens artísticas, mesmo aquelas para as quais não formaram, com um sentido de pratica polivalente, descuidando-se de sua capacitação e aprimoramento profissional (BRASIL, P. 151).
    O panorama descrito no parágrafo anterior ainda não foi alterado na maioria das escolas brasileiras, com raras, porem, expressivas, exceções. Sem uma consciência clara acerca da arte no currículo escolar, os professores não são capazes de perceber, conceber um quadro um quadro de referencias teórico-metedológicas que favoreça o seu ensino e der garantia de aprendizagem ao aluno (s). Ficam, portanto, à mercê das orientações de diretores e coordenadores de escola que, geralmente, desconhecem os propósitos e os conteúdos do ensino da arte, inclusive porque eles próprios não tiveram uma formação adequada, seja na Educação Básica ou superior.
    No novo ensino médio, os conhecimentos de artes referentes a linguagens artísticas, DE SEUS MODOS DE ARTICULAÇÃO FORMAL, das tecnologias, ás técnicas e aos materiais e procedimentos de criação artística e estética por meio do estudo, investigação e prática -, torna-se fundamental conferir ao ensino da arte a possibilidade de propiciar ao educando um nível de competência que o habilite os sistemas sígnicos que constitui a produção, apreciação e a contextualização dos conhecimentos da área.

    EDUCAÇÃO E ARTE: um referencial para Santa Luzia do Paruá

    Mas o que é mesmo Arte? vamos ver como podemos conhecer arte. De acordo com a pesquisa que fiz, podemos dizer então que as artes ( são muitas?) já foram descritas de maneira diferentes, vigorando, por muito tempo, uma visão elitista que a concebia como algo feito somente pelas mentes e mão privilegiadas de mestres extremamente cultos, com a finalidade de promover a elevação espiritual dos que podiam freqüentar espaços nobres. Quando dirigida ao povo, assumia um ostentação de poder ou o meio de transmissão de lições morais e religiosas.
    Contudo, no decorrer do século passado, pensou-se a pensar a arte como “exprimindo ou transmitindo conhecimento humano” (BRONOWSKI, 1983, PG 77) Ee ter a particularidade de envolver um conjunto de idéias elaborada de maneira sensível, imaginativa e estética.
    Todas as culturas desenvolveram praticas que podem ser classificada como artísticas, sejam elas visuais, dramática, poética, musica, etc., ou melhor, produziram artefatos, idéias e obras resultante da imaginação do homem, externando a sua capacidade de percepção e reformulação da realidade. Em outras palavras, pode-se dizer que, ao produzir cultura, homens e mulheres interagem com a natureza e seus semelhantes, construindo linguagens que articulam significados e sistemas arbitrários, de representação que variam de acordo com as necessidades e experiências da vida em sociedade.
    Conforme preconizam os PCNEM, a “principal razão de qualquer ato de linguagem é a produção de sentido” e o seu objetivo maior é a interação, a comunicação e a expressão. Mediantes as práticas sociais o homem cria linguagem verbais e não- verbal, que se entrecruzam em sistemas visuais, sonoros, audiovisuais, cênico, poético e outros. O conhecimento que se produz na e pela linguagem, por sua vez, cria novos códigos que são partilhado, reestruturados e ressignificando no âmbito da coletividade.
    Ao figurar na área de linguagens, Códigos e suas Tecnologias, as artes assumem um papelidade de utilizar diferentes formas de pensar, criar, agir e conceber a liberdade. Enquanto objeto do conhecimento, a arte permite “aos alunos apropriarem-se de saberes culturais e estéticos inseridos nas praticas de produção e apreciação artísticas, fundamentais para a formação e o desempenho social do cidadão” (BRASIL, 1999, P. 148).
    Essa tarefa do setor educacional desenvolvia por meio do ensino de arte, inicia-se na Educação Infantil, prossegue no ensino fundamental e tem continuidade no Ensino médio, por meio do trabalho pedagógico com música, teatro, as artes Visuais e a dança, ampliando-se, nesta ultima etapa da educação básica, para os saberes referentes a outras manifestações artísticas, a exemplo das artes audiovisuais.
    Para que essas orientações sejam passiveis de execução nas escolas maranhenses, há de se empreender um esforço em diferentes âmbitos, setores e seguimento da sociedade, com vista à implantação de políticas publicas relativa ao currículo, à formação continuadas dos docentes, à dotação de ambientes e materiais pedagógicos adequados nas escolas, dentre outras frentes de trabalhos. Como parte dessas ações, este documento visa orientar as escolas e os professores quanto à definição das finalidades do ensino da Arte, à seleção dos conteúdos da disciplina, à implementação de projetos didáticos e a forma de avaliação do processo de ensino/aprendizagem.
    Entendeu? rsrsrsrs... Mas não basta só fazer arte, vamos contextualizar! no próximo poste.

    ARTE E EDUCAÇÃO: um referencial de Arte para Santa Luzia do Paruá

    De acordo com a formação continuada de professores promovida pelo estado do maranhão em 2010, as refencias sobre o ensino de arte no Ensino Médio se deu como uma forma de expresão mais sublime, isso porque, nada parece ser arte. O autor do texto assim fez sua considerações:
    A inserção de arte na educação escolar brasileira se deu de forma lenta, mas progressiva, tendo alcançado, com a promulgação da lei 9.394/96, a importância que lhe havia sido negada desde quando fora utilizada, pela primeira vez, ainda no período colonial, como instrumento didático da catequese. Considerada pela escola, durante muito tempo, como atividade de pouca relevância formal, passou agora a constar dos conhecimentos obrigatórios da educação básica com a finalidade de promover o desenvolvimento cultural dos alunos (art. 26 § 2°. integrada, nos PCNEM, á área de linguagem, códigos e suas Tecnologias, a Arte compõe o corpus de conhecimentos essenciais ao desenvolvimento do educando, com vista à construção da cidadania plena.
    Ao instituir a arte como forma de conhecimento humano a ser produzido e veiculado na educação escolar, a nova configuração do Ensino Médio propõe-se a enfrentar os desafios decorrentes das transformações velozes do mundo contemporâneo, levando em consideração, também, o processo democrático vivenciado nas duas ultima décadas em prol de mudanças no ensino da Arte, protagonizado por professores, estudantes de arte, associações de arte-educadora, instituições culturais e universidades.
    Assim, objetivando romper barreiras que a muito impedem a presença salutar da arte na realidade concreta da escola brasileira, as autoridades educacionais estabeleceram parâmetros nacionais inserindo esse conhecimento no currículo da educação Básica, fundamentando-se nos conceitos contemporâneos mais relevantes e na epistemologia da área, nas experiências de professores e artistas, nas pesquisas empreendidas por especialistas, nas praticas informais de arte-educação e, especialmente, na realidade da sala de aula.
    Assim, feitas essas considerações, vamos ao próximo poste que falaremos do conhecimento em Arte e suas diversas Linguagens.